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São Paulo, 22 de Fereveiro de 2012 - 22:48
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Luz no fim do túnel
Mais um ano se passou e o que podemos observar é que muito pouco se avançou no âmbito da assistência em Saúde Mental no Brasil. Por mais complexa que seja a área, sempre resta a expectativa de melhorias nítidas e palpáveis. O problema da dependência química amargou o café dos gestores e a falta de políticas públicas de prevenção criaram uma atmosfera ainda muito mais preocupante.
Paralelamente, discussões acaloradas sobre a descriminalização das drogas; internação involuntária, sobretudo de menores em situação de rua; polêmicas geradas sobre o melhor tipo de assistência; a verdadeira eficácia dos psicofármacos; qual a melhor abordagem, a psicodinâmica, a baseada no cognitivo comportamental, 12 passos; discussão bizantina entre internação versus CAPS; público ou privado; competência da Saúde ou da Justiça?
Fala-se pouco, mas está aí o conceito da estimulação magnética intracraniana que pretende dar conta de depressão leve e moderada. Fica claro que são vários eixos que devem ser objeto de estudo, planejamento e de comprovação científica. Adicione-se ainda o fato de que a discussão deve passar necessariamente pela comunidade científica, pelos operadores da saúde mental, pelos usuários e familiares, legisladores, ministério público, gestores, enfim, pela sociedade civil organizada.
O grande dificultador para a construção da idealizada rede de atenção em saúde mental, acaba sendo o subfinanciamento. O sistema é complexo e caro. Não se pode pretender assegurar a integralidade de ações sem recursos financeiros suficientes para implementar serviços de boa qualidade e que estejam à disposição desse público cada vez mais preterido. Não basta a criação de novas modalidades se estas carecem de estruturas mínimas que sabidamente não existem. Não é à toa que o lema do Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado no dia 10 de outubro, evidenciou o “Investimento” como palavra de ordem neste ano de 2011. É preciso mais do que esforço e boa vontade.
Quando se considera o aumento populacional e a propensão em desenvolver os transtornos mentais, tendo como pano de fundo as informações de que nos países mais pobres os recursos para a saúde mental giram em torno de 2% para uma demanda de 20% da população, constatamos que o desafio deve ser encarado como uma das grandes adversidades que sociedade deve enfrentar. O avanço das drogas que degrada jovens e famílias, a omissão do estado na formulação de políticas capazes de criar o contraponto dessa luta desmedida, a falta de instrumentos para obrigar que se cumpra a lei, como a conhecida Emenda 29, que prevê a aplicação compartilhada de recursos à saúde pelas três esferas governamentais, a complexidade da área e a multiplicidade de envolvidos na responsabilidade de desenrolar esse novelo com nós políticos e ideológicos intrinsecamente ligados, constituem a verdadeira razão para continuar esse combate.
Apesar da perplexidade que esse cenário provoca, vejo muitas iniciativas no sentido de fazer o que é preciso ser feito, através de metas curtas e que podem ser de fato alcançadas, com pessoas com postura verdadeiramente profissional, que vêm se organizando para fazer deste momento um retrato que, sem dúvida, fará parte da nossa história.
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