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São Paulo, 18 de Maio de 2012 - 01:23
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Aprovada a comercialização do primeiro stent farmacológico nacionalA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar o registro do primeiro stent farmacológico (com remédio) 100% nacional. O dispositivo, usado para desobstruir artérias entupidas, foi desenvolvido e testado durante sete anos por médicos do Incor, em São Paulo. A fabricação do novo stent, que recebeu o nome de Inspiron, será feita pela emprega goiana Scitech, em parceria com a Innovatech. A Scitech já fabrica e exporta para 32 países o único modelo brasileiro de stent convencional desde 2006. Além de ser o primeiro stent com remédio a ser fabricado no País, o Inspiron também possui dois detalhes importantes: é feito com uma malha de aço hiperfina e com um polímero bioabsorvível. O polímero é o material que reveste o remédio no stent, controlando a sua liberação no organismo. A droga usada tem ação anti-inflamatória e sua função é evitar que o corpo tenha uma reação extrema e o local volte a formar placas de gordura. "A droga é liberada em 40 dias e o polímero, absorvido em até seis meses. A vantagem de ser absorvido é ter um corpo estranho a menos no organismo e, assim, conseguir resultados melhores", diz o cardiologista Pedro Lemos, diretor do serviço de hemodinâmica do Incor.
Mais barato "Usamos tecnologia brasileira e a fábrica fica no país. Logicamente, por ser um produto totalmente nacional, a gente quer entrar no mercado com preço competitivo", diz Melchiades da Cunha Neto, diretor da Scitech. Com preços mais baixos, a expectativa dos médicos é de que o stent farmacológico seja incorporado à lista de procedimentos do SUS - hoje, o Ministério da Saúde não fornece stents farmacológicos e reembolsa apenas os modelos convencionais, sem medicação, que custam R$ 3 mil. Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista, diz que dentro de 90 dias a sociedade entrará com um pedido formal para que o Ministério da Saúde avalie a possibilidade de incorporar esse dispositivo ao SUS. "Já tentamos outras duas vezes. O stent farmacológico é muito melhor que o convencional e os pacientes do SUS não têm acesso a ele", diz.
Estudo
Segundo Ribeiro, a cada dois pacientes que recebiam o stent farmacológico, um recebia o modelo convencional. Todos foram reavaliados após seis meses. "Observamos que a taxa de reestenose (novo entupimento dos vasos) foi significantemente menor no grupo que usou o stent com remédio", afirmou. "Seguramente o novo stent vai reduzir os custos da angioplastia e terá um preço menor do que os importados. Isso deverá ampliar o acesso", diz Ribeiro. Segundo a Anvisa, existem cerca de 480 tipos de stent registrados no País, incluindo os de uso cardíaco, neurovascular e uretral. Ao todo são 60 empresas. Até novembro de 2011, o SUS repassou R$ 370,2 milhões para o pagamento de 62.738 cirurgias de angioplastia. O Ministério da Saúde informou que a incorporação de novas tecnologias é feita a partir da análise da segurança, efetividade e custo e que, no momento, não há nenhum pedido de inclusão de stents farmacológicos em análise.
Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo
Publicado em 01/03/2012
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