São Paulo, 18 de Maio de 2012 - 01:27
Deu na Imprensa
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Depressão avança no Grande ABC

A depressão, transtorno caracterizado por tristeza excessiva, sentimentos de culpa e desmotivação, entre outros sintomas, já é um dos principais distúrbios atendidos em pronto-socorros psiquiátricos do Grande ABC. Em São Bernardo, o transtorno ocupa o primeiro lugar no número de atendimentos realizados pelas unidades de saúde emergenciais, atrás de casos de psicose, transtorno bipolar e esquizofrenia.

Dos 6.246 casos atendidos no PS de psiquiatria de janeiro a novembro do ano passado, 1.354, ou 21,68%, foram de depressão. Em segundo lugar, com 12,98%, está a psicose e, em terceiro, a ansiedade (9,31%). Somadas, ansiedade e depressão representam 30,97% dos atendimentos.

Em Ribeirão Pires, a depressão sozinha não representa a maioria dos atendimentos, mas somada à ansiedade, corresponde a 67,74% dos cerca de 310 atendimentos mensais do Ambulatório de Saúde Mental.

Em São Caetano, no pronto-socorro de emergências psiquiátricas do Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin, a maioria dos 2.953 atendidos de janeiro do ano passado até agora (40%) são casos de dependência química. A depressão está em segundo lugar, com 30%.

Em Santo André e Diadema, a doença está em terceiro lugar no número de atendimentos. Na primeira cidade, o Centro Hospitalar Municipal recebe cerca de 500 pessoas por mês na emergência psiquiátrica, sendo que 17% são dependentes químicos, 14% surtos psicóticos e 12% casos de depressão e ansiedade. Já Diadema não informou o número de pacientes, mas apontou que a maioria é dependente químico, seguido de somatizações (vários transtornos associados), depressão e ansiedade.

Para especialistas, o aumento no número de pessoas com depressão deve-se, principalmente, ao fato de que informações sobre a doença, suas causas e seus sintomas são difundidas facilmente na atualidade. Por outro lado, para a psiquiatra e coordenadora de Saúde Mental de São Bernardo, Suzana Robertella, isso pode gerar a banalização do diagnóstico. "Ninguém pode mais chorar que está com depressão. A família e mesmo os médicos não sabem o que fazer com pessoas que têm problemas emocionais. A mídia obriga a pessoa a ser feliz, e se ela fica triste, algo natural da vida, é porque tem alguma coisa errada com ela."

Na opinião da especialista, essa é uma das causas do aumento na venda de antidepressivos. De 2008 até o fim do ano passado, a comercialização desse tipo de medicamento registrou aumento de 43,61%, segundo levantamento da IMS Health do Brasil. "Nem sempre o remédio é o melhor tratamento. Não existe pílula da felicidade", garantiu Suzana.

Remédio é receitado para tudo
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% da população mundial terá, em algum momento da vida, algum tipo de transtorno mental. Porém, antidepressivos vêm sendo receitados para diversos fins, não apenas para combater a depressão.

O psiquiatra da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Sérgio Baldassin, citou casos de enxaqueca, obesidade, ejaculação precoce e até para pessoas que passarão por tratamentos ou cirurgias complexas. Além disso, tem sido utilizado também para combater a dor. "Cerca de 75% das pessoas que têm depressão têm dor e quem tem dor crônica há muito tempo costuma ter depressão", explicou.

Para o especialista, casos severos da doença precisam aliar remédio e terapia. E há cura para a depressão? Baldassin afirmou que depende do tipo de tratamento e da pessoa. "Há casos em que é preciso fazer acompanhamento pelo resto da vida."

Trata-se de transtorno que exige muito dos sistemas de Saúde públicos, já que a estimativa da OMS é que já a partir de 2020, a depressão será a doença mais prevalente nos seres humanos em todo o mundo.

Mulher e criança
As causas são desconhecidas, mas mulheres sofrem de duas a três vezes mais de depressão do que os homens. "Não se sabe se é um fator físico, hormonal ou social, mas o que se observa é que as mulheres procuram mais ajuda para a doença", garantiu o psiquiatra da FMABC.

Além disso, a psicóloga Bárbara Lopes destacou que vem crescendo de forma preocupante o número de crianças com o transtorno. "Para evitar a doença, é preciso ter apoio familiar. Como muitas vezes a família está desestruturada, a criança também sofre."

 

 

Fonte: Jornal Diário do Grande ABC
Publicado em 14/03/2012
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