Palavra do Presidente

Junho/2007

"As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades."

Millôr Fernandes

Caros amigos,

Em pleno século XXI, parece natural pensar que a melhor forma de conservar-se com saúde é preservar o corpo com exercícios físicos, uma dieta balanceada e exames médicos periódicos. Podemos pensar que eventualmente o que acontece com o corpo tem total relação com a forma que o tratamos, e não com fatores externos ou esotéricos.

No alvorecer da raça humana, saúde e doença foram baseadas na relação entre os elementos naturais e sobrenaturais presentes nas culturas humanas desde tempos imemoriais. Sentimentos de culpa, medos, superstições, mistérios, envolvendo o fogo, o ar, a terra, os astros, a organização da natureza, eram entendidos como ligados às expressões da doença, à ocorrência de epidemias, à dor, ao sofrimento, às impressões de desgaste físico e mental, à visão da deterioração dos corpos e à perspectiva da morte.

As representações primeiras de saúde e doença foram mágicas. Entre os povos sem escrita, a doença era vista como o resultado de influências de entidades sobrenaturais, externas, contra as quais a vítima comum, o ser humano, pouco ou nada podia fazer. Aí apareceram os primeiros "profissionais de saúde", que conhecedores de ervas e infusões tentavam aliviar as dores e incômodos do corpo.

E, a despeito das grandes dificuldades, a ciência seguiu um caminho evolutivo firme, principalmente graças a pessoas dispostas a sacrificar suas vidas e reputações para vê-la florescer - basta lembrar que Leonardo da Vinci desenhava seus compêndios de anatomia escondido dos olhos ameaçadores da moral vigente na época.

Nesse processo surgem os hospitais, que logo obtêm um papel preponderante. É certo que nessa época eles eram pouco mais que abrigos para doentes incuráveis, mas imaginem a coragem desses profissionais de ciência pioneiros, que com seus conhecimentos ora limitados aceitavam dividir espaço e tentar a cura - ou pelo menos o alívio - de pessoas afetadas com diversas moléstias até então incuráveis. Às duras penas aprenderam a dominar noções de higiene e controle de infecções.

No Brasil, o cenário evolutivo não foi diferente. Das Santas Casas pioneiras aos grandes Hospitais de hoje o caminho foi sempre árduo. No início do século passado, até revoltas urbanas tivemos contra a vacinação em massa da população, com direito a apoio de figuras de ponta da política, como Rui Barbosa.

Detalhes como esse não impediram o ritmo de crescimento do setor. Na década de 30, houve a consolidação de grandes centros de ensino, como as faculdades de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. E, a partir de 1970, a consolidação dos hospitais privados. Sendo presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo, sou um admirador confesso de tudo o que os hospitais fazem, fizeram e farão pela saúde de todos nós.

Felicidades a todos nesse 2 de Julho, “Dia dos Hospitais”.

Um forte abraço,

Dante Ancona Montagnana

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