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Palavra
do Presidente |
| Novembro/2007 “Quando uma porta se fecha para nós, há sempre outra que se abre. Mas olhamos com tanto pesar para a porta fechada que não nos apercebemos da outra que se abriu”. No dia 31 de outubro o Brasil foi declarado sede da Copa do Mundo de 2014. O anúncio foi feito em Zurique, na Suíça, na sede da FIFA, onde estavam presentes o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, doze governadores de Estado, vários políticos brasileiros e Ministros. Além dessas ilustres figuras da República, a comitiva contava com o escritor Paulo Coelho, o jogador Romário e o atual técnico da seleção brasileira, Dunga, tetracampeão em 1994. Lembro vagamente daquela Copa. Tenho registro de ter ido a um jogo logo no começo do evento, no Pacaembu, em companhia de amigos e da presença de famílias e muitas crianças. O ingresso foi comprado na hora em civilizadas filas e jovens davam passagem a senhoras e idosos sem precisar que uma lei os obrigasse a isso. Eram outros tempos e o evento nem de longe movimentava os milhões de dólares de hoje. Na imprensa, apenas destaque aos jogos. A única presença que se manteve incólume nos dois momentos – 1950 e 2007 - foi a dos políticos, sempre prontos a associar sua imagem ao esporte mais praticado e amado do país. A grande coincidência é que a apresentação na Suíça acontece no momento em que o Senado discute a prorrogação da CPMF. Originalmente criada em 1996 para resolver os problemas da área da saúde, era para durar apenas dois anos. Já se vão mais de onze e, além do problema original estar longe de ser resolvido, os sucessivos governos incorporaram de tal forma sua receita para outros fins que a briga pela sua manutenção é acirrada. Nesse contexto é triste ver que a saúde dos brasileiros é usada de forma catastrófica. O próprio Ministro da Saúde declarou que “ou se aprova a contribuição ou será o caos para a saúde”. Reconheço o esforço do Dr. José Gomes Temporão, mas ele deveria acreditar mais em suas próprias palavras e levar ao próprio governo federal sua tese, quando disse que o “problema não era apenas dinheiro, mas gestão, de como se investe o que já está disponível”. Sabemos que o governo não é o melhor exemplo quando o assunto é a gestão de recursos. Quem dera vermos o Presidente da República, tantos governadores, parlamentares e autoridades unidas para resolver um problema fundamental do país, que é o financiamento da saúde. Nada! O que vemos é que só somos lembrados como moeda de troca, em promessas de negociações que raramente saem dos documentos e matérias dos jornais. Toda a conversa em torno da Emenda 29 prova isso. Não estou defendendo a tese de que um país com tantas injustiças deveria pensar primeiro em resolver seus problemas e depois fazer festas. Apoio a Copa no Brasil, pois o futebol é parte fundamental da nossa cultura, é o momento onde o Brasil se encontra e que diz muita coisa sobre quem somos. Mas se não pensarmos de uma vez por todas quais são realmente nossas prioridades e o que queremos ser como pátria, jamais avançaremos.
Um forte abraço, Dante Ancona Montagnana |