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Arquitetura hospitalar: beleza, funcionalidade e qualidade
* Por Genésio Korbes
Recentemente, em entrevista à equipe do Núcleo de Pesquisas e Estudos Hospital Arquitetura (NUPEHA), publicada no portal Hospital Arquitetura, comentei o papel da arquitetura nos resultados da gestão de um hospital e como isso influencia a qualidade da assistência.
A arquitetura no ambiente hospitalar é essencial para que se alcance resultados positivos nos processos assistenciais, já que ela é a responsável pelo adequado desenho dos fluxos, pela economia de energia e pela eliminação do retrabalho, situando nos locais adequados os serviços integrados e interdependentes. Isso sem contar o papel fundamental da arquitetura hospitalar no gerenciamento de riscos.
O ideal é que se levem em consideração os conceitos da arquitetura hospitalar na concepção do edifício. Porém, isso nem sempre é possível e, no caso de edificações já existentes, pode ser preciso fazer um reestudo completo das áreas, levando em consideração, por exemplo, se o edifício é mais horizontal ou vertical e se tem muitas áreas ociosas ou mal aproveitadas. Nesse sentido, uma opção interessante é o estabelecimento de um Plano Diretor de Crescimento, que pode incluir desde a reforma de espaços até a construção de novos edifícios interligados aos antigos. Sem esquecer, é claro, da beleza e da funcionalidade.
Mais que bonito e funcional, contudo, um hospital tem de propiciar, através da disposição de suas diferentes áreas (UTI, Centro Cirúrgico, setores administrativos, Pronto Socorro e Unidades de Internação, entre outras), as condições ideais para que a assistência seja prestada de forma eficaz e eficiente, com excelência em qualidade e humanização no atendimento. Num projeto de arquitetura hospitalar, é de extrema importância também a localização das áreas de apoio, como Laboratório, Diagnóstico por Imagem, Serviço de Nutrição e Gastronomia, Farmácia e Central de Materiais, para ficar em alguns exemplos. Os dois primeiros interagem fortemente com o Pronto Socorro e com o todo do Hospital, ao passo que o último citado necessita estar próximo ou junto ao Centro Cirúrgico, seu maior cliente. Vale lembrar que muitas vezes a reestruturação da arquitetura hospitalar pode, inclusive, contribuir para que a instituição alcance as condições ideais e cumpra todos os requisitos para a obtenção de certificações de qualidade, como a da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Canadense e Joint Commission.
A busca de uma certificação costuma atuar como motivadora e norteadora de uma série de modificações internas, uma vez que é focada no gerenciamento de processos. Não raro, quando se faz o mapeamento de determinado processo, os conhecimentos em arquitetura, através da participação do profissional, contribuem para aprimorar os fluxos, eliminar retrabalho e aumentar a produtividade. De um modo geral, muitos hospitais não valorizam adequadamente a participação desse profissional no seu staff. Em minha opinião, as direções hospitalares deveriam ter a assessoria permanente de um arquiteto, de preferência com especialização ou grandes conhecimentos da área da saúde, para ajudá-las a gerenciarem o negócio com mais qualidade e produtividade.
* Genésio Korbs é consultor hospitalar com MBA em gestão empresarial e sócio-diretor da Korbes Consulting
Data: 27/07/2010
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