"Antes de ser chamado para a Copa do Mundo de 1958, aos 17 anos,
fui convocado para a Copa Roca e fomos campeões. Essa é a diferença".
Pelé
Apesar de também querer Paulo Henrique Ganso e Neymar na África do Sul, quem gosta de futebol como eu consegue entender os motivos do técnico Dunga para deixar a dupla do Santos fora da Copa. A falta de experiência dos jogadores em convocações da seleção brasileira foi determinante para que eles não fossem levados ao Mundial.
O fato de não serem testados pesou muito. Eu imagino a maneira de pensar do Dunga. Ele está sendo coerente e, até agora, não perdeu, pelo contrário, conquistou a Copa das Confederações e a classificação brasileira para a Copa discorreu sem problemas. Ou seja: Em time que está ganhando não se mexe.
A grande imprensa, porém, não pensa da mesma forma e não poupa críticas à convocação de Dunga. Pode, novamente, estar errada, afinal, errou em 1958, por meio das crônicas de Nelson Rodrigues. Incomodou Zagalo em 1970, até sermos tricampeões. Atazanou Parreira e voltamos com o tetra. Falaram do Felipão com adjetivos desonrosos e, no fim, comemoramos o penta. Agora é a vez de Dunga.
Muitos jornalistas e fanáticos torcedores levaram o troco com a convocação dentro de tudo o que Dunga prega. A verdade é que não aceitam as opiniões e o método do treinador. Implicam com tudo. Queriam os meninos da Vila, que são talentosos, sem sombra de dúvidas, mas que suaram para comemorar a conquista do Campeonato Paulista diante do Santo André, que jogou muito bem.
O fato é que os últimos meses de uma competição não podem, nem devem, definir os rumos de um trabalho feito ao longo de anos. O nome de Ronaldinho Gaúcho surgiu entre os 30, e não entre os 23 convocados. O jogador não se apresentou bem nas últimas oportunidades que teve na seleção, foi indiferente o tempo todo. Pergunto: alguém acha correto ele ser premiado na véspera? Por justiça não foi. Quem vai é Nilmar, que fez gols em todos os amistosos que disputou, dando o sangue ao vestir a camisa da seleção.
Esse é o critério: a fé, a dedicação e a competência. Alguns tiveram chances e as desperdiçaram. Outros se meteram em encrencas. Quem se manteve no prumo fará agora parte da equipe. Com o bom senso de Dunga, o Brasil já ganhou, porque levou talentos embasados numa estrutura técnica e tática, e em experiências bem aproveitadas
A vivência de Dunga foi formatada ao longo de décadas, numa carreira sólida e vitoriosa. E ele trilha sua trajetória como técnico com prudência, experimentação permanente, persistência e objetividade.
Concordo com ele porque penso da mesma forma. Foi difícil criar e manter a equipe do SINDHOSP ao longo desses anos, mas aqui temos sempre os melhores, os mais esforçados, enfim, colaboradores prontos para vestir a camisa da empresa e trabalhar por ela. Boa Copa a todos!
Um grande abraço,
Dante Ancona Montagnana